Eu fiquei em décimo lugar. E isso me ensinou algo importante sobre medo, perfeccionismo e vida

Na minha primeira competição de Crossfit, eu fiquei em décimo lugar, de doze.

Eu tinha nove meses de prática. Ou seja, nada. Pelo menos era assim que eu me sentia quando me comparava com os outros atletas.

Mesmo assim, eu estava lá, com a minha dupla, a Gi, tremendo antes do primeiro apito.

Quando o medo se confirma (ou parece se confirmar)

A primeira prova começou dando tudo errado.
O nervosismo atropelou qualquer raciocínio. A gente se confundiu no exercício, fez uma sequência inteira errada, perdeu tempo, perdeu energia.

Resultado: décimo lugar.

E junto com o placar veio aquela voz conhecida — dura, impaciente, aparentemente muito lógica:
“Tá vendo? Eu te avisei. Você não devia estar aqui.”

Vieram o desânimo, a vergonha, a vontade de desaparecer um pouco.

O que acontece quando a gente não vai embora

Mesmo assim, a gente continuou.

Fomos para a segunda prova.
Ainda errei. Tive algumas repetições anuladas por erro na técnica.

Terminamos em sétimo.

E foi aí que algo começou a mudar. Percebi que talvez a meta não fosse vencer. Talvez a questão fosse atravessar o medo inicial de não dar conta. De não estar preparada. De não corresponder.

Na terceira prova, entre exaustão e surpresa, veio o quarto lugar.

E, com ele, a alegria por não ter ido embora, mesmo depois de tantos erros. De sustentar a presença mesmo quando a autocrítica gritava.

O perfeccionismo como condição para viver

Sou psicóloga clínica e atendo muitas pessoas ansiosas que vivem presas a uma ideia muito parecida:
a de que só podem aparecer no mundo quando forem excelentes.

Quando não houver mais risco.
Quando não houver mais falha.
Quando não houver mais possibilidade de crítica.

Essa lógica paralisa. Porque a vida não acontece a partir da excelência.
Ela acontece durante o processo — com erro, insegurança, tropeço e recomeço.

Aquela competição me ensinou algo que eu vejo todos os dias no consultório:
não é a ausência de medo que nos faz seguir.
É a decisão de continuar apesar dele.

Você não precisa estar pronta

Você não precisa estar pronta para começar.
Você não precisa se sentir segura para aparecer.
Você não precisa eliminar o medo para viver.

Você só precisa continuar.
Mesmo insegura. Mesmo errando.

Porque é assim que a gente cresce, e vive de verdade.

Ansiedade

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