E se você se permitisse ser ruim em algo novo?

Existe uma pergunta que, quando levada a sério, costuma provocar certo desconforto — e talvez justamente por isso seja tão potente: e se você se permitisse ser ruim em algo novo?

Em 2025, decidi atravessar essa pergunta de forma muito concreta. Escolhi fazer algo que me tira radicalmente da zona de conforto. Algo que, durante muito tempo, eu acreditava que simplesmente não era para mim: me expor na internet. Não se trata apenas de “produzir conteúdo”, mas de falar em público sobre reflexões que nascem da minha prática clínica, mas também da minha experiência como alguém que vive atenta aos próprios mundos internos e aos dos outros. Pensamentos que, até então, ficavam restritos ao espaço protegido do consultório.

O consultório se tornou meu lugar seguro, porque é onde me sinto competente, ajustada, reconhecida. É um espaço de intimidade cuidadosamente construído. Com o tempo, porém, percebi que esse mesmo lugar de segurança também havia se tornado um certo fechamento. Fui, pouco a pouco, me afastando de instituições, de espaços coletivos, de trocas mais abertas.

Fundando esse espaço novo, o virtual, me deparo com algo muito humano: o medo de errar, de não saber fazer, de não corresponder às expectativas — próprias e alheias. Implica aceitar que nem todas as ideias vão agradar, que críticas podem surgir. A ideia de ser ruim nisso — de não dominar, de estar aprendendo — assusta. E assusta porque nos confronta com uma ferida narcísica bastante comum: a dificuldade de ocupar o lugar de iniciante.

Mas há algo importante aqui. Sem correr o risco de não agradar, também não existe a risco de que alguém se reconheça, se identifique, se sinta acompanhado em pensamentos que, muitas vezes, são vividos em silêncio. Não tem como correr o risco de um, sem correr o risco do outro.

Talvez crescer — emocionalmente, subjetivamente — passe exatamente por aí: aceitar que novos movimentos exigem atravessar o desconforto de não saber. De sustentar a própria presença mesmo quando ela ainda não está “pronta”. De permitir-se experimentar sem a garantia de sucesso.

Esse espaço que começo a construir aqui nasce dessa aposta. Uma aposta na troca, no pensamento compartilhado, na possibilidade de que a imperfeição também seja fértil.

E deixo, então, a pergunta que me acompanha — e que talvez possa acompanhar você também:
quais posicionamentos novos você gostaria de se permitir explorar? O que você deixou de fazer por medo de ser ruim? Será mesmo que crescer não implica aceitar, ao menos por um tempo, o risco de não saber?

Talvez não haja respostas imediatas. Mas, às vezes, permitir-se formular a pergunta já é um primeiro deslocamento importante.

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